A participação do Museu Dinâmico Interdisciplinar da Universidade Estadual de Maringá (MUDI/UEM) transformou a edição dos 50 anos da Expo Umuarama 2025 em um evento onde a ciência foi uma das grandes atrações, que este ano teve como tema Ciência e Sustentabilidade. De 13 a 23 de março, milhares de visitantes estiveram no Parque Internacional Dario Pimenta da Nóbrega e, entras as inúmeras atrações, puderam ter uma experiência com a ciência e um universo de conhecimento científico.
Ocupando grande parte do Pavilhão da indústria no, montada, a exposição do MUDI preencheu quase 500 metros quadrados com a montagem de materiais do acervo permanente e proporcionou ao público uma experiência interativa, instigante e divertida com a ciência.
A maioria dos materiais que compõem a exposição é reciclável, o que reforça o compromisso do museu com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).
Diferentes de outros museus pelo mundo, o MUDI é um museu universitário de ciências, o segundo maior do sul do Brasil, que promove ensino, pesquisa e extensão e leva o conhecimento, de forma atraente e muito divertida, a locais onde não há espaços museais. Este ano também é especial para o MUDI, que comemora 40 anos de atividades e abriga 33 projetos de extensão em diversas áreas do conhecimento. Em 2025, a UEM também festeja seus 55 anos e os 25 anos do campus Regional de Umuarama (CAU).
Entre as atrações que mais impressionaram o público na Expo Umuarama, está a exposição ‘Deuses e Santos da Agricultura – Parte I – Ceres e Perséfone’, que oferece uma visão greco-romana para explicar as estações e a fertilidade na agricultura. Em especial, o período em que não se produz nada e aquele em que tudo floresce. As esculturas são de Sara Massocco, artista plástica da Toscana, Itália, que fazem parte do acervo do MUDI.
Além da representação histórica, é possível conhecer algumas tecnologias e objetos do passado, como a trilhadeira, moinho e debulhador de milho manuais. Foi possível, enquanto havia espigas de milho disponíveis, às pessoas experimentarem essas metodologias e tecnologias do passado e descascar uma espiga de milho.
A proposta cênica do espaço da exposição ‘Deuses e Santos’ foi criada pelo curador da exposição na Expo Umuarama, professor do Departamento de Ciências Morfofisiológicas da UEM, Marcílio Hubner, e executada, principalmente, pelos acadêmicos de Direito Rafael de Abreu Sbelluti e Elza Hanari. Boa parte dos materiais utilizados foi obtida pelos participantes do Laboratório de Estudos em Botânica Aplicada e Sustentabilidade (Lebas), por Andrei Felipe Gomes, chefe do campus da UEM em Umuarama, e Valdecir Máximo Da Hora, chefe da Fazenda, e sua equipe.

Logo na entrada do pavilhão, outro espaço, que também chamou a atenção dos visitantes foi a exposição de Arqueologia dos Povos Originários do Paraná, com maior destaque para as etnias Kaingang e Guarani, incluindo ainda a Xetá, com uma mostra de peças arqueológicas oriundas do Arenito Caiuá, localizado em Umuarama e região. São lanças, cerâmicas e outros utensílios encontrados da região e compõem o acervo do Laboratório de Arqueologia, Etnologia e Etno-História (LAEE/UEM), que atualmente está sendo exposto na sede do MUDI em Maringá.
Ciência para todos
Marcílio Hubner destaca que a ideia foi levar a Umuarama elementos que fizessem parte da história da região, como estratégia de tornar a exposição mais próxima das pessoas.
“Na curadoria para a Expo Umuarama, tomamos o cuidado de fazer levantamento de vídeos que ilustrassem esses aparelhos em funcionamento para que as pessoas tivessem a ideia da dinâmica com que eles funcionavam. Outros espaços também comportam imagens, tudo para promover maior entendimento aos visitantes”, informa Hubner.
A proposta sempre é desmistificar a ciência, despertar a vontade de aprender sobre diferentes áreas científicas e aproximar as pessoas da universidade e da sua produção de conhecimento. “Tão importante quanto vivenciar várias áreas da ciência, todos podem descobrir que em Umuarama tem todos esses cursos de graduação e não há necessidade de sair da cidade para fazer um curso universitário”, justifica.

O professor destaca ainda que o convite para participar desta edição, no ano que a exposição completa 50 anos e o MUDI comemora 40 anos, partiu da Sociedade Rural de Umuarama, responsável pela organização da festa.
“Em novembro do ano passado, eu e o diretor do museu, professor Celso Ivam Conegero, estivemos em Umuarama para conversar com a diretoria, após demanda junto à reitoria do campus da UEM, em Umuarama. Na sequência, nos reunimos com outros parceiros para começar os preparativos”, relembra.
Além da Sociedade Rural de Umuarama, foram apoiadores nesta empreitada a Receita Federal, a Associação dos Amigos do MUDI (AMUDI), o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR), o Instituto Água e Terra (IAT), além da colaboração de Valmir Vicensi, de Francisco Alves, proprietário dos Móveis Rústicos, que ofereceu o mobiliário para diversos ambientes da exposição.
Com o apoio do reitor da UEM, Leandro Vanalli, e da vice-reitora, Gisele Mendes, que visitaram o espaço do MUDI, vários setores da universidade sempre participam das itinerâncias do museu, como a Diretoria de Serviços Industriais, por meio da Marcenaria e da Serralheria no campus sede.
Na Expo Umuarama, houve uma parceria fundamental com professores, alunos e trabalhadores da Fazenda, através do Centro de Ciências Agrárias e do Curso de Agronomia de Umuarama (CAU). Todos tiveram um espaço no pavilhão para mostrar aos visitantes os cursos que são ofertados na cidade, além de darem um grande apoio na montagem da exposição do MUDI.
Ao todo, mais 100 pessoas estiveram envolvidas na realização da exposição, direta e indiretamente, entre coordenação e organização da logística, separação das peças, transporte, montagem e desmontagem, comunicação, monitores para atendimento do público durante os dez dias de evento e voluntários. Só das escolas da região agendadas para visita, foram mais de 3.500 alunos que passaram pela feira.

Experiência científica
Na Expo Umuarama, o MUDI levou grande parte do seu acervo, como o projeto Bioma Brasileiros que retrata a biodiversidade na exposição sobre a Mata Atlântica. O espaço apresentou animais nativos taxidermizados, ou empalhados, do bioma que já cobriu quase todo o Paraná, com a proposta de conscientizar sobre a importância da preservação e a riqueza da fauna e flora brasileira.
“Neste ambiente, os visitantes puderam ver as imagens de uma derrubada, mas também de uma queimada, depois o processo de arenização e de desertificação que pode surgir. Trouxemos esta experiência porque os cientistas alertam que o Brasil já tem várias áreas em processo de arenização e desertificação e, inclusive, aqui no Arenito Caiuá, onde está Umuarama”, ressalta.
A coleção de insetos da Yoko Terada mostra a importância dos insetos no controle biológico, na polinização e, consequentemente, na produção de alimentos. Somou-se ao acervo do MUDI, a coleção existente no campus de Umuarama, utilizado para ensinar essa parte de Entomologia nos cursos de graduação na cidade.

Da Física o MUDI apresentou Giroscópio Humano, que sempre atrai o interesse, traz a experiência da gravidade zero que os astronautas experimentam em seus treinamentos, além do gerador de Van de Graaff, famoso por arrepiar os cabelos de quem o toca, diverte o público enquanto demonstra conceitos de eletricidade estática. Já a mini-montanha-russa simula uma pane no sistema elétrico do brinquedo, ilustrando princípios físicos de forma prática e envolvente.
A Matemática também se fez presente com o projeto Matemativa, que transforma a matemática em diversão, com jogos e desafios interativos, assim como o projeto Visão de Raio X, que mostra os esqueletos de animais e humanos. Os visitantes ficaram impressionados com os objetos de prevenção ao Tabagismo, com exposição de órgãos afetados pelos fumantes, inclusive dos cigarros eletrônicos.
MUDItinerante
A coordenadora do projeto Muditinerante, professora Ana Paula Vidotti, destaca a importância das itinerâncias para a popularização da ciência, seja em feiras como a Expo Umuarama, de Ciência, em escolas, em outros museus e espaços onde a ciência é bem-vinda.
“Nossa proposta é atrair o olhar, principalmente das crianças e adultos também, para a ciência como algo natural em nossa vida neste planeta e, assim, criar consciência para uma ciência cidadã, voltada para o conhecimento da história, da sustentabilidade e da ciência como parte da vida”, afirma.

Já a professora Simone Fiori, coordenadora de projetos de extensão no MUDI e participante do projeto Muditinerante, enfatiza a experiência que as exposições proporcionam: “É uma grande oportunidade para você, de forma interativa, manipular, ativar a curiosidade, sempre com a ajuda de um monitor, que são alunos da UEM. No caso da Expo Umuarama, vários alunos da cidade participaram, o que aproxima ainda mais a vivência com a ciência”.
O Museu Dinâmico Interdisciplinar da UEM faz parte da Rede Estadual de Museus, Centros de Memória, Documentação e Acervos Universitários do Paraná (Remup), uma iniciativa da Superintendência Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), e integra o Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Conectando Memória e Inovação, da Fundação Araucária. A participação do MUDI na Expo Umuarama também teve o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Texto escrito pela jornalista Silvia Calciolari, com imagens do bolsista Guilherme Nascimento dos Santos.
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