O projeto de combate ao Tabagismo desenvolvido no Museu Dinâmico Interdisciplinar (MUDI) da Universidade Estadual de Maringá (UEM) acumulou muito conhecimento nos últimos anos, inclusive com uma abordagem aplicada ao consumo de cigarros eletrônicos. Apesar da proibição para a produção, comercialização, importação e veiculação de propaganda no Brasil determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), desde o ano passado, o consumo de cigarros eletrônicos, os vapers, entre os jovens cresce e preocupa as autoridades de saúde e a sociedade em geral.
Neste sentido, são bem-vindas as novas estratégias para promover ações no ambiente escolar para conscientizar os adolescentes sobre os chamados ‘vapers’ e desmistificar os perigos por trás deste que é considerado, erroneamente, menos perigoso que o cigarro comum.
Por isso é tão relevante o curso de formação realizado nesta sexta-feira, 27, para capacitar servidores e educadores para atuar nas escolas para a prevenção e controle do cigarro eletrônico em escolas de Maringá e região. Dezenas de profissionais puderam aprender e desenvolver novos recursos para chegar aos jovens consumidores, assim como seus familiares.

Além do MUDI, o evento contou com a parceria da 15ª Regional de Saúde Maringá, que atende 30 municípios do Noroeste do Paraná, da prefeitura de Maringá, por meio do programa ‘Saúde na Escola’, e da entidade ACT Promoção da Saúde, contando ainda com o apoio institucional da UEM.
A palestra principal foi do médico pediatra pela Universidade de São Paulo (USP), João Paulo Lotufo, representante da Sociedade Brasileira de Pediatria e membro da Comissão de Combate ao Tabagismo da Associação Médica Brasileira (AMB). Ele criou o projeto “Dr. Bartô”, que se transformou uma referência por suas publicações ao longo dos anos com uma série de livretos de apoio a educadores e familiares.

De acordo com Lotufo, quem trabalha com a Saúde deve trabalhar com a prevenção, e não apenas tratar doenças. “Nosso projeto Dr. Bartô é contínuo, por isso é fundamental capacitar agentes de saúde e educadores nas escolas”. Por exemplo, um professor capacitado e consciente de seu papel de prevenção, numa aula de Matemática consegue mostrar para as crianças o quanto o pai ou mãe gastou com cigarro na vida, levando para casa este número para que a criança possa crescer sabendo dos efeitos para a saúde e para levar essa mensagem para casa, explicou.
A ideia é somar esforços para que o poder público, escolas, universidades, junto com a família, possam se envolver nessa luta contra o consumo do tabaco e o cigarro eletrônico por adolescentes. “A criança é um veículo de conscientização e, se for preciso tratar primeiro o adulto, vamos fazê-lo para que quando jovens não sigam o exemplo dos fumantes com quem convivem”, enfatizou.
Metodologia inédita
“Nós não conseguimos dar conta da demanda crescente em torno do problema gerado pelo consumo de cigarro eletrônico nas escolas, por isso esse curso de capacitação para que os servidores e educadores para que façam intervenções no ambiente escolar”, apontou o coordenador do MUDI, professor Celso Ivam Conegero, idealizador do projeto de extensão “Tabagismo: conscientização da população de Maringá e região”
Segundo Conegero, mais dois cursos como este serão ofertados no segundo semestre, sempre em parceria com os órgãos e organizações que tenham como missão propor estratégias para combater o tabagismo.

A pós-doutoranda do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI)i Paraná Faz Ciência, Maria José Pastre, participou do curso e enalteceu a capacitação, que para ela é uma grande oportunidade para desenvolver estratégias para tratar do tema nas escolas.
“O professor João Paulo nos deu um panorama sobre drogas em geral, como cigarro eletrônico, maconha, crack, que atinge crianças desde o ventre, em caso de mães consumidoras. Para nós que estamos na área da Educação, é uma valiosa contribuição, além do material de apoio que ele desenvolveu e colocou à nossa disposição”, destacou.

Texto redigido pela jornalista Silvia Calciolari

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