I Simpósio contra o Tabagismo, promovido pelo Mudi/UEM, reuniu educadores e servidores da saúde de Maringá e região
Como abordar uma criança ou adolescente, em sala de aula, que faz uso de cigarro eletrônico? Quais estratégias pedagógicas ou de Saúde pública são eficazes para conter o avanço do ‘vape’ entre os jovens? Qual o papel dos gestores e da família no combate ao consumo dos Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs)?
Estas e outras questões permearam as discussões durante o I Simpósio de Capacitação sobre Cigarros Eletrônicos, evento que reuniu aproximadamente 160 profissionais da saúde, educação e comunidade acadêmica para discutir os riscos dos DEFs e estratégias de prevenção, especialmente no ambiente escolar.
Organizado pelo Museu Dinâmico Interdisciplinar, da Universidade Estadual de Maringá (Mudi/UEM), em parceria com a 15ª Regional de Saúde e a Prefeitura Municipal de Maringá, o simpósio aconteceu no Dia Nacional de Combate ao Fumo, 29 de agosto. A iniciativa conta ainda com o apoio da Associação de Amigos do Mudi (Amudi), da Associação de Palhaços de Maringá, da ACT Promoção à Saúde e da UEM.

O coordenador do Projeto de extensão ‘Tabagismo UEM’, professor Celso Ivam Conegero, enfatiza a importância do simpósio. “Este evento faz parte de um ciclo de capacitação, iniciado em junho e que terá uma terceira etapa ainda no segundo semestre, para dar aos profissionais informações, estratégias e orientações de como implementar projetos para o controle efetivo para o combate ao cigarro eletrônico e outras modalidades de tabagismo na escola”, afirmou.
A íntegra das palestras e discussões, que foram transmitidas ao vivo pelo YouTube, está disponível no canal da AMUDI, separadas nas sessões da manhã e tarde.
‘Novidades’
A palestra do especialista André Luiz Oliveira da Silva, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), chamou atenção dos participantes por trazer as ‘novidades’ em termos de formatos dos dispositivos para burlar a vigilância no ambiente escolar. André apresentou dispositivos na forma de material escolar, corações coloridos e até imitando uma bombinha de asma. O mais chocante foi um casaco que vem com um sistema em que é possível utilizar o vape sem chamar a atenção.

O palestrante fez questão de enfatizar aos participantes os motivos que levaram a Anvisa a proibir a produção e o consumo de cigarros eletrônicos, o que pode ajudar no processo de conscientização para os riscos. O aparelho funciona como um vaporizador, que em vez de ser utilizado por meio da combustão, possui um cartucho no qual é armazenado um líquido com nicotina diluída em água, aromatizantes e outras substâncias químicas, como glicerina e propilenoglicol que, por sua vez, é aquecido e gera o vapor aspirado pelo usuário e chega direto e quente no pulmão.
Apesar dos alertas, ainda há quem ache que são menos perigosos que os convencionais. Porém, os cigarros eletrônicos não são inofensivos, visto que um cartucho equivale, dependendo do fabricante, a cerca de seis a 18 cigarros comuns.
“A indústria do mal não dorme e precisamos estar sempre alerta, já que o cigarro eletrônico foi apresentado como uma alternativa ao cigarro comum. Hoje, sabemos que os vapers são significativamente mais danosos, com riscos à saúde irreversíveis, já que estamos falando de jovens”, alertou.
André lembrou que o Mudi e a UEM sempre estiveram na vanguarda no combate ao tabagismo, desenvolvendo há mais de 30 anos projetos que envolvem gestores e comunidade neste enfrentamento.

Prevenção
Já o professor de Matemática da Faculdade de Educação, da Universidade de São Paulo (FEUSP), Ernani Nagy de Moraes, compartilhou sua experiência de 24 anos de atuação na prevenção às drogas e participação no EAPREVE, programa que atende alunos dos ensinos Fundamental e Médio, no bairro do Butantã, em São Paulo.
“Um simpósio como este é fundamental para avançarmos na prevenção ao trazer informação, reunir mais pessoas aliadas ao combate ao cigarro eletrônico e ganhar cada vez mais repertório para o nosso trabalho nas escolas”, enfatizou.

Dirceu Vedovello, da 15ª Regional de Saúde, e Alexandre Vinícius Xavier Penha, da Escola de Palhaços de Maringá, também fizeram palestras abordando temas como políticas públicas, impactos dos DEFs no organismo humano e comunicação criativa na promoção da saúde.
Texto produzido pela jornalista Silvia Calciolari

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