Posted on

by

in

Mudi 40 anos: missão é levar a ciência para além dos muros da universidade

Por meio do projeto Muditinerante, iniciado em 2005, milhares de pessoas tiveram acesso ao conhecimento científico

O Museu Dinâmico Interdisciplinar (Mudi), da Universidade Estadual de Maringá (UEM), é um museu universitário que, em 40 anos, se transformou num relevante espaço de ensino, pesquisa e extensão reconhecido no segmento museal, além de ser um dos dez museus mais visitados do país

Dos mais de 40 projetos de extensão que, atualmente, estão vinculados ao Mudi, o Muditinerante é o que coloca em prática a ideia de que a ciência pode, e deve, ir a lugares onde não há museus ou espaços abertos à visitação com atividades que envolvam cultura e conhecimento científico. Iniciado em 2005, com 20 anos de atividades ininterruptas, o projeto consolida a ideia de que todos merecem ter a oportunidade de conhecer o universo da ciência e seu poder transformador.

A proposta do Muditinerante não é nada simples: divulgar e popularizar a ciência, instigar a curiosidade de crianças, jovens e adultos de forma atraente, interativa e lúdica, e valorizar o conhecimento científico. Para isso, as exposições temáticas são organizadas sempre pensando no interesse do público local e do território a partir dos itens que compõem os diversos acervos, como, por exemplo, Paleontologia, Anatomia, Física, Química, Matemática, Entomologia, Tabagismo, Logística Reversa e Educação Ambiental, entre outras áreas do conhecimento.

“Em cada itinerância, a gente pode perceber nos olhos das crianças o encantamento com a ciência, mostrando que a universidade e a ciência também são para elas. Sim, todo mundo é capaz, pode e deve estar inserido nesse mundo”, enfatiza a coordenadora do Muditinerante, a professora de Ciências Morfológicas da UEM, Ana Paula Vidotti.

Ana Paula Vidotti viaja com o Muditinerante, que fez parte da programação da semana cultural promovida pelo Colégio Estadual Arthur Azevedo, de São João do Ivaí (Foto/Mudi)

Seja numa escola, parque de exposição ou numa praça, a coordenadora destaca que o Muditinerante tem o poder de conectar as duas pontas: a universidade e a sociedade. “Nesse momento, a gente se sente cada vez mais forte, mais interessado em fazer ciência e levar o conhecimento produzido na academia, dentro do museu, para as pessoas daquela região”, completa.

Vidotti relembra que a sua relação com o Mudi começou em 1997, ainda na graduação em Biologia e como mediadora, quando o espaço estava em construção e era chamado de Centro Interdisciplinar de Ciências (CIC). O projeto Muditinerante foi instaurado dentro do Museu para auxiliar comunidades, escolas e outras regiões que não conseguiam chegar até o espaço físico e ter acesso ao que era produzido pelo Museu.

“Nestes 20 anos, o projeto já passou por várias gestões e eu, quando voltei como professora na universidade, assumi a coordenação em 2012 e estou com ele até hoje”, conta. 

Somente em 2025, o Muditinerante participou da Expoingá, em Maringá, com a exposição “Mudi: Conectando a Ciência, a Tecnologia e a Cultura Oceânica com o Agro”; da FIciências no Inova iguassu, em Foz do Iguaçu, com “Encanto do mar”; no evento Paraná Faz Ciência (PRFC), em Guarapuava, com a exposição sobre Anatomia, ‘‘Visão de Raio X”; da Feira de Cultura e Ciência (FECCI), em Curitiba, com “O Universo do Corpo Humano”; entre outras atividades. 

Galeria – Fotos Muditinerante 2025

Mediação

Todas as pessoas que já estiveram no museu conhecem os monitores, pessoas que são formadas e treinadas para acompanhar e explicar os conteúdos dos acervos em exposição. Num museu de ciências não é diferente. E quando é um museu universitário de ciências, poucos sabem que os monitores são bolsistas graduandos de diversos cursos. 

É o caso da bióloga Maysa Alvarez, que começou como bolsista em 2018 no projeto Muditinerante e, atualmente, faz doutorado no Programa de Ciências Biológicas, da UEM, vinculado ao Mudi.

“Minha mãe era professora na UEM, quando conheceu a professora Débora de Mello Sant’Ana, que hoje coordena projetos no Mudi. Quando eu entrei na Biologia, ela dizia que eu devia conhecer mais a Débora, que tinha sido sua aluna. Acabou que eu fiquei mais na extensão de início da graduação, acabei me interessando pela área de neurônios do intestino e desde então não saí mais”, relembra.

Já Vinícius Guizellini, também é biólogo e doutorando no mesmo programa que Maysa, e também começou como monitor no Mudi. “Eu ainda estava na 8ª série quando vim de Mandaguari, onde morava, para Maringá visitar o Mudi com a minha escola. Foi uma visita que me marcou muito como aluno e me lembro da Anatomia e dos dinossauros, da Paleontologia, que depois eu descobri que não eram dinossauros (risos)”, recorda.

Para todos que passam pelo Mudi como bolsistas, as vivências nos corredores e ambientes são memórias que ficam para sempre. “Eu sempre fui muito tímido e no começo eu tinha dúvidas se iria dar conta de acompanhar os visitantes e explicar, mas fui vencendo esse desafio e estou aqui até hoje”, enfatiza Vinícius.

Também participante do projeto Muditinerante desde o início das suas atividades no museu, Vinícius guarda boas lembranças de uma das primeiras viagens que participou.

“Fomos para Bataguassu, no Mato Grosso do Sul, que eu gostei bastante e achei muito bacana porque a escola fez um evento científico e a gente era atração principal. Os alunos também apresentaram pesquisas que eles fizeram na escola”, conta. E completa: “Nossa, lembro que era muito longe, mas essas experiências agregam bastante na nossa vida”. 

Texto escrito pela jornalista Silvia Calciolari

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *