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Mudi 40 anos: como é fazer parte da história

Seja pesquisador, coordenador ou secretária, o Mudi encanta todos aqueles que atravessam suas portas, numa conexão que transparece no afeto e no carinho pelo futuro do museu

Fachada do Museu Dinâmico Interdisciplinar (Foto/Mudi)

Prestes a completar 40 anos de idade, o Museu Dinâmico Interdisciplinar (Mudi) preserva em suas salas e corredores, além de objetos e experimentos, a memória e as histórias de cada pessoa que contribuiu para sua trajetória. De estagiários de Biologia a servidores da administração, como o coordenador Celso Ivam Conegero, o pesquisador ad hoc Robson Antonio e a secretária Maria Cristina Ribeiro (Cris), todos constroem e carregam consigo memórias da história do museu. 

O desejo de participar

A primeira lembrança do Mudi de Celso Ivam Conegero, atual coordenador do museu, foi a sensação de entrar em um projeto de um grande escopo. A vontade dele em participar surgiu durante uma visita como estagiário na graduação em Biologia, da Universidade Estadual de Maringá (UEM),  época em que o Mudi ainda era o Centro Interdisciplinar de Ciências (CIC).

Inicialmente, Conegero viu sua tentativa frustrada. Como estagiário de Anatomia Humana, ele desejava levar seu conhecimento para o museu, mas a área de atuação do coordenador não era contemplada pelo antigo Mudi. “Essa realidade mudou no fim de 1988, quando, junto a Marcílio Hubner, meu orientador na época e atual curador do Mudi, consegui trazer novos materiais para o CIC, que foram aceitos”, relembra.

Conegero não foi o único a se encantar pelo museu ainda como estudante. Com uma trajetória diferente, Robson Antonio, pesquisador ad hoc do Mudi, visitou o museu para uma disciplina de Física, há mais de 15 anos. Em 2010, ele iniciou sua jornada como monitor na mesma área, apenas um dia depois da visita. A sua primeira função? Apresentar a mesma oficina que assistiu no dia anterior.

Robson continuou monitor em diversos ambientes, passou da Astronomia até a Antropologia, numa jornada de crescimento constante, segundo o pesquisador. “Me entregaram o que podemos comparar a uma chave. E, dali a pouco, mais uma chave, depois mais outra chave e o molho foi crescendo. Hoje, têm algumas chaves nesse molho e as responsabilidades foram aumentando”, comenta.

Memórias do pesquisador do Mudi, Robson Antonio (Foto/Acervo Pessoal)

Diferente do coordenador e do pesquisador, a secretária do Mudi, Maria Cristina, afetivamente conhecida por Cris, conheceu o museu após 20 anos de trabalho na UEM. Sua admiração, no entanto, cresceu ao ver seu marido trabalhando no museu e em projetos como o Abaecatu. O Mudi tornou-se um sonho. “Eu entrei na UEM na parte administrativa, tive duas lotações antes daqui e todas de secretária de pró-reitor, de administração, funções exigentes. E quando eu vi as maravilhas do Mudi, os encantos, os projetos, foi um desejo meu vir pra cá”, enfatiza Cris.

Ela também sonhava em fazer parte do Abaecatu, grupo que usa música e poesia para abordar temas como a ética e política, ou outro projeto artístico vinculado ao Mudi. A oportunidade não tardou a chegar. Embora receosa de não conseguir entregar uma boa atuação, Cris recebeu o convite para participar de ‘O Auto da Barca do Fisco’ no momento certo, quando já se sentia madura para o desafio. Seu primeiro papel foi a Espanhola, personagem da peça que traz reflexões sobre o fisco, a corrupção e a gestão do dinheiro público no Brasil. ‘A experiência foi muito gostosa’, relembra a secretária.

Montagem de Cris atuando como Espanhola na peça ‘O Auto da Barca do Fisco’ (Foto/Mudi)

A esperança pelo futuro

Desde então, a vida dos três se transformou. Conegero soma mais de 35 anos de carreira dedicada à universidade e viu a transformação do Mudi. “É uma experiência enriquecedora, mas acredito que há um longo caminho a percorrer para que o museu alcance ainda mais a população”, acrescenta. Seu sonho inicial era entrar no Mudi; hoje, o maior objetivo é melhorar a infraestrutura, uma questão já em andamento.

“Vai ser um auditório interdisciplinar, onde você pode fazer uma apresentação de dança, uma palestra ou uma peça de teatro. A gente vai ter condições de trabalhar um pouquinho mais as questões da ciência e arte”, explica Conegero. Ele também se orgulha dos quase 40 projetos do Mudi. Entre as atividades, cita a importância do setor de Comunicação, com atuação da articuladora do NAPI Paraná Faz Ciência, Débora de Mello Sant’Ana, e da coordenadora de Comunicação, Ana Paula Machado Velho, para levar o Mudi a mais pessoas.

Celso Ivam Conegero concedendo uma entrevista para a Band (Foto/Mudi)

A trajetória de Robson também é marcada por ideias de projetos e expansão, com a arte e a ciência sempre presentes. “Marcílio me chamou para fazer parte de outros projetos que me complementam como cidadão. São projetos de cidadania fiscal, como o ‘Dramatizando a Cidadania’ e o ‘Música e Poesia’ para falar de cidadania, ciência e meio ambiente, ambos com alcance nacional e internacional”, detalha Robson. Ele também atua no espetáculo ‘Auto da Barca do Fisco’ e no Abaecatu, este na sonoplastia e iluminação.

Para Robson, os projetos o moldaram como cidadão, melhoraram sua oratória e o fizeram pensar como ensinar ciência para pessoas com diferentes vivências: crianças, estudantes, universitários, professores, políticos e idosos. O conhecimento do pesquisador, durante sua atuação no museu, só aumentou e continua sendo ampliado.

Já Cris confessa seu amor por estar no Mudi. Apesar de pouco tempo no museu, ela já o vê com carinho. “A gente observa todo mundo trabalhando com muito amor. Amor à ciência, amor ao novo, amor a tudo que é dinâmico. É muito gostoso! A vida no Mudi é muito diferente da vida do servidor para fora desses portões”, afirma.

Quando questionada sobre o futuro do espaço, mesmo celebrando 40 anos, Cris reforça: “o Mudi é ainda jovem”. Para a secretária há muito o que fazer no museu e concorda com Conegero: “a comunidade da UEM precisa conhecer o Mudi”.

Mais que um trabalho, uma segunda família

Para quem quer conhecer um lugar diferente e aprender sobre muitas áreas da ciência, Conegero indica o Mudi. O coordenador explica que o museu é um local com muita coisa bacana para ver e fazer. Com orgulho, ele cita o museu como um dos 10 mais visitados no país, algo a ser celebrado na história do Mudi.

A equipe do Mudi conhece o impacto da visita a um museu de ciências no despertar do interesse das crianças pelo conhecimento científico. Robson, por exemplo, lembra que o filho dele, Vicente Antonio, diz que vai ser ‘cientista de tubarões’, inspirado pelo contato que tem com o museu.

Cris também compartilha a alegria de ver o interesse da garotada visitante. A filha dela se sentiu inspirada a ponto de escolher o museu como cenário para as fotos do pré-casamento, combinando amor e ciência. “Veio uma equipe, ela fez aqui nos corredores e na Química, ficaram fotos espetaculares. Ninguém tem um ‘pré-wedding’ assim, só minha filha mesmo. E eu tenho muito orgulho disso”. Para a secretária, são esses os momentos que fazem a diferença.

Essa sensação de família e carinho também transparece em Robson, que relata um crescimento pessoal gigantesco, com amizades de bares e viagens, e a melhoria de sua saúde mental. Uma segunda família se formou do Mudi para ele, e dele para o museu. “O Mudi, se fosse considerar, é o meu segundo lar. Teria uma segunda família”.

Texto redigido pela bolsista do NAPI Paraná Faz Ciência, Carlisle Ferrari Rossi

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