Inscrições on-line já estão abertas; as aulas serão em formato híbrido, totalizando 240 horas
O projeto de extensão Práticas Integrativas Complementares na Saúde (PICS), desenvolvido no Museu Dinâmico Interdisciplinar, da Universidade Estadual de Maringá (MUDI/UEM), abre as inscrições para o primeiro curso de capacitação em Terapia Comunitária Integrativa. A proposta é capacitar pessoas para atuarem como facilitadores em espaços comunitários, promovendo o bem-estar e a saúde mental em grupos ou comunidades.
A coordenadora do pólo formador em Terapia Comunitária Integrativa, Graça Martini, será a responsável pelo curso ofertado pelo MUDI/UEM. “Maringá e a Universidade Estadual de Maringá entenderam que a TCI é uma tecnologia social que abrange não só o cursista, não só aquelas pessoas que participam da roda, mas possui um efeito sistêmico, em cadeia, quando um participante melhora a sua compreensão, sua visão de si e dos seus conflitos”, afirma.
De acordo com Martini, a TCI é uma tecnologia social criada com o objetivo de promover saúde no espaço da palavra. “É um espaço de escuta, palavra e vínculo, onde eu falo pra não adoecer, porque quando a boca cala, os órgãos é que falam. E quando a boca fala, os órgãos saram. Para que eu não fale em forma de depressão, suicídio, doenças, pressão alta, diabetes, eu vou falar com a boca”, enfatiza a formadora, que tem mais de 20 anos de experiência e integra à Associação Brasileira de Terapia Comunitária Integrativa (Abratecom).
Para quem nunca ouviu falar em Terapia Comunitária Integrativa, é importante ressaltar que a prática está inserida na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), desde 2017, e presente em 24 países distribuídos pela América do Sul, Europa, África, atuando em diversas áreas como saúde, educação, assistência social, comunidades e setor privado.

Considerada uma abordagem psicossocial avançada pelo Ministério da Saúde, consiste numa prática terapêutica coletiva que envolve os membros da comunidade numa atividade de construção de redes sociais solidárias, estabelecimento de vínculos e promoção de qualidade de vida. A TCI foi, inclusive, certificada pela Fundação Banco do Brasil como uma Tecnologia Social, em 2024.
Benefícios
O curso ofertado pela UEM é destinado a maiores de 18 anos, com ou sem experiência no segmento, e não precisa ter graduação. “Todo aquele que quer, que gosta de outro ser humano, que gosta de trabalhar ou deseja trabalhar em grupo para acolher a dor do humana podem participar”, explica a formadora.
Ainda segundo Graça, “nós não somos psicoterapeutas, a terapia comunitária não é psicoterapia. Para isso, o terapeuta comunitário faz o encaminhamento necessário. Nós acolhemos a dor do outro e, para isso, não precisa de diploma de graduação. Para acolher a dor humana, basta um outro coração solidário, amoroso e caloroso”.

Martini enfatiza os benefícios que a TCI traz para a pessoa e para a comunidade no entorno. “Pesquisas científicas já comprovam que há uma diminuição da hipertensão, dos ideários suicidas, da demanda no balcão da Unidade Básica de Saúde, de doenças psicossomáticas e de pacientes poliqueixosos, e a comunidade fica mais proativa e passa a participar mais ativamente dos conselhos, dos movimentos comunitários e a diminuição de doenças psicossomáticas é evidente”, relaciona.
Formação de terapeutas
O coordenador do Projeto Práticas Integrativas Complementares na Saúde (PICS), professor Celso Ivam Conegero, destaca que o curso de formação de terapeutas é um marco para o trabalho que está sendo desenvolvido na UEM. “Criamos esse projeto com três objetivos principais que é, primeiro, atender a nossa comunidade universitária. Segundo, dar capacitação para os nossos profissionais terapeutas que já atuam. E em terceiro lugar, formar novos terapeutas”, explica o professor da UEM.
Segundo Conegero, a opção pela Terapia Integrativa comunitária para iniciar essa nova fase do projeto é estratégica, já que trata-se de uma terapia que trabalha de forma coletiva e cria uma excelente oportunidade para os gestores terem profissionais capacitados e já implantarem e iniciarem as práticas integrativas de uma forma eficaz e com baixo custo de investimento.
“Queremos atender à comunidade em geral, mas também aos municípios que têm interesse em plantar as práticas integrativas nas Unidades de Saúde como preconiza o SUS, formando, terapeutas que estarão capacitados para iniciar esse trabalho”, acrescenta.
Capacitação e vivências
De acordo com a coordenadora adjunta do Projeto de Práticas Integrativas desenvolvido pelo MUDI, Keli Moreira, o curso formação em Terapia Comunitária Integrativa vai além de capacitar as pessoas como facilitadores em espaços terapêuticos. “A proposta é trazer uma arte do cuidado, trabalhando com as vivências terapêuticas, pensamentos sistêmicos, teorias de comunicação e a abordagem, também, de raízes culturais”, destaca.

No conteúdo do curso haverá ainda um aprofundamento do autocuidado, de intervenções, de como você pode trabalhar em comunidade. “Uma hora apenas de roda, onde você vai expor alguma inquietação, e depois vai ser feita as intervenções para conseguir realmente trabalhar de uma forma efetiva, sem colocar segredos em roda, sem colocar conselhos, mas colocando as vivências de cada pessoa de dentro da roda o que elas fizeram para superar”, conclui Keli.
As inscrições vão até o dia 9 de agosto e podem ser feitas on-line neste link, onde é possível encontrar ainda todas as informações sobre o curso e os critérios para a participação.
Texto redigido pela jornalista Silvia Calciolari

Deixe um comentário