Evento acontece neste 29 de agosto, Dia Nacional de Combate ao Fumo, e irá capacitar educadores e servidores da saúde
Em parceria com a 15ª Regional de Saúde e a Prefeitura Municipal de Maringá, o Projeto ‘Tabagismo UEM’ realiza no Dia Nacional de Combate ao Fumo, 29 de agosto, o I Simpósio de Capacitação sobre Cigarros Eletrônicos. O evento tem como objetivo reunir profissionais da saúde, educação e comunidade acadêmica para discutir os riscos dos Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs) e estratégias de prevenção, especialmente no ambiente escolar.
No Brasil, os ‘vapes’ têm a sua produção e comercialização proibidas. Altamente viciantes e nocivos, eles contêm sal de nicotina, o que faz com que o composto seja entregue em concentrações até vinte vezes maiores no corpo, tornando-se um problema junto a crianças e adolescentes em idade escolar.
O evento é uma realização do Museu Dinâmico Interdisciplinar (Mudi), da Universidade Estadual de Maringá (UEM), no âmbito dos projetos de extensão associados ao ambiente do Tabagismo: ‘Conscientização da população de Maringá e região’ e ‘Tratamento e acompanhamento aos usuários de tabaco da população de Maringá e região’. A iniciativa conta ainda com o apoio da Associação de Amigos do MUDI (Amudi), da Associação de Palhaços de Maringá, da ACT Promoção à Saúde e da UEM.
Idealizador e coordenador de dois projetos, o professor de Anatomia Humana da UEM, Celso Ivam Conegero, explica que este é o segundo evento relacionado ao tema e que ainda haverá outro curso de formação para servidores da saúde e educadores da região de Maringá.
“Em junho, nosso primeiro curso reuniu e capacitou mais de 160 educadores e servidores da Saúde, representando um passo importante para o enfrentamento ao cigarro eletrônico nas escolas. Agora, o I Simpósio vem dar continuidade a esta atividade que já está repercutindo no ambiente escolar”, afirma Conegero.
No primeiro evento, a palestra principal foi do médico pediatra pela Universidade de São Paulo (USP), João Paulo Lotufo, representante da Sociedade Brasileira de Pediatria e membro da Comissão de Combate ao Tabagismo da Associação Médica Brasileira (AMB). Ele criou o projeto “Dr. Bartô”, que se transformou uma referência por suas publicações ao longo dos anos com uma série de livretos de apoio a educadores e familiares.

Para este I Simpósio, a programação contará com palestras de especialistas como André Luiz Oliveira da Silva, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Ernani Nagy de Moraes, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP), Dirceu Vedovello, da 15ª Regional de Saúde, e Alexandre Vinícius Xavier Penha, da Escola de Palhaços de Maringá, abordando temas como políticas públicas, impactos dos DEFs no organismo humano e comunicação criativa na promoção da saúde. Para saber detalhes sobre os palestrantes e programação, acesse o Instagram do evento, que acontecerá a partir das 8h da manhã, no Auditório Ney Marques, no campus sede da UEM. Todo e evento será transmitido ao vivo pelo YouTube, pela manhã e tarde.
Práticas Integrativas
A cada ano, a luta contra a dependência do tabaco ganha novos aliados. Já são 29 Práticas Integrativas que já fazem parte das terapias complementares homologadas e ofertadas pelo Ministério da Saúde e disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Entre elas estão a Aromaterapia, Fitoterapia, Acupuntura, Terapia Comunitária Integrativa, Reiki, entre outras práticas, que oferecem novas estratégias para quem está determinado a parar de fumar, além do tratamento convencional com medicamentos e adesivos.
Neste sentido, uma live realizada pelo canal Impacto Ambiental, e reproduzida pela TV Ingá, visou o Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado em 29 de agosto desde 1986, uma data voltada para o controle do tabagismo como problema de saúde coletiva. Este ano, o tema é ‘O Cuidado integral no combate ao Tabagismo”, que coloca as Práticas Integrativas no radar das políticas públicas e projetos de pesquisa.
Com apresentação de Laurice Gobbi, o tema do programa foi “Liberdade sem fumaça: O Poder da Medicina Alternativa” e trouxe o professor de Anatomia Humana da Universidade Estadual de maringá (UEM), Celso Ivam Conegero, e a nutricionista Keli Moreira, coordenadora adjunta do projeto Práticas Integrativas Complementares na Saúde (PICS), também desenvolvido no Mudi.

“A indústria do tabaco não descansa e nós, para enfrentar esse grave problema de saúde pública, estamos ampliando as estratégias no sentido de somar no combate ao tabagismo, especialmente o cigarro eletrônico”, afirma Conegero.
Ele lembrou que na década de 1950, a propaganda era tornar o cigarro uma moda e angariando consumidores pelo mundo, sem nunca discutir seus efeitos nocivos. “Hoje a ciência já provou que a nicotina é prejudicial à saúde de quem fuma e de quem vive ao redor. Já avançamos em termos de conscientização e legislação, mas a indústria não descansa e já apresentou o cigarro eletrônico como ‘alternativa’ para quem quer deixar o cigarro”, alerta o professor. E acrescenta: “O ‘vape’ é tão ou mais nocivo que o cigarro e pode causar danos sérios e irreversíveis aos pulmões”.
Pesquisas já demonstraram que as dificuldades para uma pessoa, de qualquer idade, parar de fumar se dão por três motivos: a nicotina cria uma dependência potente, age no Sistema Nervoso Central ao ativar neurotransmissores como a dopamina, o hormônio do prazer e bem-estar, e consolida um comportamento repetitivo, automático, fazendo com que a pessoa nem percebe porque está fumando.
“Não existe uma fórmula para cada indivíduo parar de fumar, mas já sabemos por estudos que adquirir novos hábitos de alimentação e vida saudáveis, além de buscar ajuda profissional, seja na medicina tradicional e nas práticas integrativas, é um caminho mais seguro e eficiente”, afirmou.
Novos hábitos
Para Keli Moreira, as Práticas Integrativas vêm somar nessa jornada de abandonar o vídeo do cigarro ao oferecer novos hábitos para substituir o comportamento repetitivo do cigarro. Por exemplo, na Aromaterapia, o bastão com aromas que amenizam a ansiedade é de forma cilíndrica. “Assim, em vez de tirar do bolso um cigarro, a pessoa usa o bastão para interromper aquele hábito nocivo, por outro que lhe trará calma”, explicou.
Neste processo, as terapias coletivas são importantes para as pessoas tentarem buscar as causas que a levam a fumar. “Quando se está em grupo, você se sente acolhido e propenso a compartilhar suas emoções e ouvir outros relatos, o que ajuda na conscientização do problema e qual caminho seguir”, esclareceu Moreira.

Como nutricionista, Moreira também reforçou a importância de uma alimentação saudável, que faça a pessoa trocar o café pelo chá, por exemplo, é sempre um grande complicador quando se quer mudar os hábitos que lembram o cigarro. “O que é preciso é ter pessoas sensíveis e qualificadas ao redor para orientar a busca de qual prática será melhor para cada indivíduo”, reforçou.
Texto redigido pela jornalista Silvia Calciolari

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