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Mudi consolida projeto de sustentabilidade que envolve logística reversa e coleta seletiva

Iniciado em 2018, a iniciativa contempla o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 12 da Agenda 2030

A partir de 2026, o Museu Dinâmico Interdisciplinar (MUDI), da Universidade Estadual de Maringá (UEM), apresentará aos seus visitantes um espaço sobre logística reversa e coleta seletiva. O objetivo é conscientizar a população sobre a forma como produzimos, consumimos e damos a destinação correta aos resíduos que geramos no dia a dia. Quando o tema é sustentabilidade, é fundamental usar recursos naturais de maneira eficiente, evitando o desperdício e adotando práticas de produção e consumo que não causem danos ao meio ambiente.

O projeto de extensão Logística Reversa e Coleta Seletiva foi implantado no Mudi/UEM em 2018, pela professora Sônia Trannin de Mello, em parceria com o Instituto Brasileiro de Logística Reversa de Embalagens (ILOG), ancorado pelos Objetivos do Milênio e Agenda 2023, especificamente ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 12 – Consumo e Produção Responsáveis. Este é um dos 17 ODS definidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2015, que apresenta desafios e metas para o Brasil e o mundo. 

A atual coordenadora do projeto, a professora de Anatomia Humana do Departamento de Ciências Morfológicas (DCM/UEM), Ana Paula Vidotti, sempre foi uma parceira da iniciativa, tanto que integrou o tema nas ações de itinerância do Mudi. O projeto Muditinerante leva para escolas, feiras de ciências e agropecuárias, praças e onde for solicitado, partes do acervo do museu universitário como Física, Química, Anatomia Humana e Logística Reversa, entre outras áreas da ciência.

“A logística reversa é uma ferramenta importantíssima para a economia circular, porque a gente permite que esse produto, como embalagens e resíduos que estavam com o consumidor, volte para o setor empresarial e seja reciclado ou descartado de forma adequada”, explica Vidotti. Para ela, a informação e conscientização são importantes, uma vez que nem tudo dá para ser reciclado, mas devem ter um descarte adequado. 

Ana Paula Vidotti com André Schimidt, professor da Escola Elvira Balani,  que ajudou na arrecadação tampinhas (Foto/Mudi).

Resíduo mínimo

O conceito de economia circular prevê um modelo de produção e de consumo que envolve a partilha, o aluguel, a reutilização, a reparação, a renovação e a reciclagem de materiais e produtos existentes. Desta forma, o ciclo de vida de alguns materiais descartados é alargado por meio da logística reversa. 

Na prática, este processo de reaproveitamento de materiais  implica na redução do desperdício ou na geração mínima de resíduos, mantidos dentro da economia sempre que possível graças à coleta seletiva e à reciclagem.

Neste contexto, não há espaço para o ‘jogar fora’, simplesmente. Até porque não há um Planeta B. Este é o mote da ação que o projeto do Mudi realiza nas escolas, e nas outras modalidades de itinerâncias, que envolve uma linguagem acessível e lúdica para conscientizar alunos, professores e servidores de escolas do ensino Básico, Fundamental e Médio e universidades.  

“Com a ajuda do Juca, o mascote do Mudi, e da consultora ambiental do ILOG Soraya Bischoff nós fazemos palestras nas escolas para que as pessoas olhem além das lixeiras e se conscientizem para a importância da coleta seletiva e a sua relação com o processo ambiental e também social, uma vez que as cooperativas de recicladores utilizam desse material para gerar ren e da para seus integrantes”, enfatiza a professora. Nesta empreitada, Vidotti tem o apoio da coordenadora adjunta, Simone Fiori, também professora da UEM, Departamento de Ciências (DCI) no campus Goioerê.

Projeto Logística Reversa e coleta Seletiva leva conhecimento sobre a importância da sustentabilidade (Foto/Mudi).

Além de despertar para a questão da sustentabilidade, Vidotti destaca que, nas visitas a escolas sempre há estímulo à coleta de materiais pelos alunos, como tampinhas de garrafa, cápsulas de café e lacres de latinhas. Desde o início do projeto, o Mudi tem uma parceria com o ILOG, além de cooperativas, para a coleta e destinação desses recicláveis que chegam até o museu. 

Agir local

Nem sempre é fácil e rápido mudar a mentalidade das pessoas para a importância do descarte correto dos resíduos que produzimos. A ideia de um ‘agir local para mudar o global’ ainda encontra resistência, o que num cenário de emergência climática se torna imperativo.  

Vidotti lembra ainda que o projeto Logística Reversa e Coleta Seletiva tenta despertar nas pessoas o interesse pela sustentabilidade, a partir de exemplos concretos como o leite. A partir de uma economia circular, tem-se a produção do leite que chega ao laticínio, é processado, envasado nas embalagens Tetra Pak e chega ao mercado. Então, é transportado para o mercado e do mercado para o consumidor. 

Visita à Coopercanção, de Maringá (Foto/Maria Eduarda Tenório).

“Após o consumo, se lavadas e descartadas corretamente, as caixinhas podem ser reaproveitadas e transformadas em telhas. Com as embalagens plásticas, por exemplo, de insumos agrícolas, é a mesma coisa. Então, eles usam o plástico novamente para fazer a parte de fora, enquanto no interno se usa um plástico novo para evitar contaminação”, explica. 

Ao apresentar todo o processo de logística reversa de diversos materiais, o projeto mostra para a comunidade que cada um pode fazer a sua parte, contribuindo para o todo. 

Além das palestras e exposições, o projeto também capacita os monitores do Mudi e, para reforçar, realiza visitas técnicas a cooperativas de recicladores e até em empresas de produção, como a Cimflex, que atua na região de Maringá. “Nestas ocasiões, nós levamos os materiais coletados pelo Mudi às cooperativas e os mediadores podem conhecer o resultado do trabalho de recolhimento e separação”, finaliza Ana Paula.

Texto redigido pela jornalista Silvia Calciolari.

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