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Expo Umuarama: Mudi uniu oceanos, o agro e a logística reversa 

Milhares de visitantes puderam interagir com a ciência e, ao mesmo tempo, refletir sobre a questão ambiental e a importância para a biodiversidade

“Estamos na década dos oceanos! Até 2030, a ciência, a arte e a sociedade devem aproveitar para refletir tudo aquilo que nós fazemos, mesmo aqui no interior do Paraná, vivendo a mais de 600 quilômetros do mar. Tudo o que fazemos pode impactar os oceanos”, enfatiza Marcílio Hubner de Miranda Neto, professor da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e curador do Museu Dinâmico Interdisciplinar (Mudi) e da exposição na 51ª Expo Umuarama. Através do projeto Mudinerante, o universo da ciência ficou onze dias à disposição dos visitantes, até 22 de março.

Mais uma vez, a presença do Mudi na Expo Umuarama reforça o caráter itinerante e dinâmico do Mudi, que busca levar a ciência para diferentes públicos e territórios. “A participação no evento amplia o alcance das ações de divulgação científica e fortalece o vínculo com a comunidade, integrando um movimento maior da UEM, que levou à exposição diferentes cursos e áreas do conhecimento presentes no campus de Umuarama”, avalia Miranda Neto.

Já a Vice-Reitora da UEM, professora Gisele Mendes, vai além. “A proposta foi apresentar ao público tudo o que a universidade tem no município, reunindo cursos das Ciências Agrárias, o Hospital Veterinário e o Mudi, que veio de Maringá trazendo novidades, curiosidades e experiências para os visitantes”, completa a vice-Reitora.

Para esta edição, a curadoria escolheu trabalhar os oceanos, o meio ambiente e a logística reversa, tudo conectado ao agronegócio. Como referência, a exposição contou com obras de arte do artista plástico italiano Mário Bargero, feitas especialmente para o Mudi e integram o acervo do museu.  

Bargero expunha em museus da Europa desde a década de 60 e quando esteve no Brasil se encantou com o Mudi, produzindo e doando várias peças de arte e que têm a ver com logística reversa, porque são feitas a partir de objetos do meio rural, detalhes das obras que você pode conhecer no vídeo publicado nas redes sociais do Museu.

Embora Maringá esteja distante da costa, a exposição na Expo Umuarama demonstrou como as ações no interior impactam diretamente os mares. Miranda Neto cita a canção “Riacho do Navio”, de Luiz Gonzaga, como uma metáfora para explicar o problema de forma didática: o lixo descartado em qualquer riacho local acaba, inevitavelmente, ‘batendo no meio do mar’. “A exposição tentou representar o chamado ‘Sétimo Continente’, uma gigantesca concentração de lixo no Oceano Pacífico, que já possui uma área estimada superior ao dobro da região sudeste brasileiro”, alerta o curador.

Clubes de Ciências

Clubes de Ciências que integram a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, da UEM e do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Umuarama, estiveram presentes na feira para expor seus projetos. Desta forma, a participação estimula e atrai novos jovens para a universidade, num movimento que busca reunir a comunidade escolar e tem como objetivo o incentivo de um maior contato dos estudantes da rede da Educação Básica com a ciência e carreiras científicas.

A professora da UEM, coordenadora do Muditinerante e integrante da equipe do NAPI Paraná Faz Ciência, Ana Paula Vidotti, ressalta a versatilidade do museu. “A gente costuma dizer que o Mudi não é estático, não só pelo projeto Itinerante, mas se qualifica por todas as inúmeras ações que ele tem relacionado com a divulgação científica. É aquela máxima: a gente tem que estar onde o povo está. E se é aqui na Expo Umuarama, é de muito bom grado a gente estar aqui”, destaca a coordenadora.

Um espaço de integração e experiências

Com mais de 900 metros quadrados, o pavilhão reuniu durante a Expo Umuarama não apenas os acervos do Mudi, mas também diferentes iniciativas e parceiros, criando um ambiente dinâmico e interativo. Lá estavam diversos cursos de graduação e pós-graduação do campus Umuarama da UEM, unindo o setor produtivo às discussões globais sobre a preservação ambiental. O público pôde interagir com a ciência por meio de tecnologias, mas também com experimentos lúdicos. 

“Nós trouxemos os alunos para conhecer um pouquinho do que o Mudi oferece, do que a Universidade Estadual de Maringá oferece, e quem sabe plantando as sementinhas para futuros cientistas e futuros formandos aí da UEM”, destacou a professora Shirlene Aparecida Pedrota Tinti, do Colégio Estadual de Vila Alta, do município vizinho, Alto Paraíso.

Os cursos de Engenharia Ambiental e Engenharia da Computação destacaram a importância da logística reversa como estratégia para reduzir impactos ambientais. Já a Engenharia Civil e Arquitetura propuseram reflexões sobre o planejamento urbano e a construção de cidades mais sustentáveis. Complementando essa abordagem, o curso de Agronomia traz para o debate práticas voltadas à sustentabilidade no contexto da produção agrícola. E os cursos de Engenharia de Alimentos e Medicina Veterinária vieram com a ciência microscópica, colocando placas e equipamentos para observações detalhadas.

Impacto educacional

A presença de escolas reforça o papel educativo da iniciativa, despertando o interesse pela ciência e incentivando novas perspectivas para o futuro. A exposição recebeu visitantes de diferentes idades, especialmente estudantes, que puderam vivenciar na prática conceitos científicos e ambientais.

Marcílio Hubner de Miranda Neto ressalta ainda o empenho dos servidores da fazenda experimental, de 5 estudantes da UEM de Maringá e do trabalho de luz cenográfica do servidor Reinaldo Soriani. Ele mencionou ainda a ajuda fundamental de estudantes e professores de Umuarama no processo de montagem, que durou cerca de 2 semanas para que se chegasse ao resultado final exposto no pavilhão. “A interação com o público é a maior recompensa para cada pessoa que trabalhou na montagem ou que esteve atendendo o público”, enfatizou Miranda Neto.

Por fim, o que fica nesse terceiro ano consecutivo de participação na Expo Umuarama é o conhecimento que os visitantes que saem da feira não apenas com informações sobre o agronegócio e sua importância para o Brasil, mas com uma nova consciência sobre seu papel na sustentabilidade do planeta.

Imagens e texto do bolsista do NAPI Paraná Faz Ciência, Guilherme Nascimento dos Santos, sob supervisão de Silvia Calciolari

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