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Simpósio debate estratégias para combater o tabagismo, especialmente o cigarro eletrônico no ambiente escolar

Evento permite troca de experiências e novos aprendizados, capacitando servidores que atuam nas escolas e no atendimento à saúde

‘A prevenção é o melhor tratamento’, afirmaram especialistas reunidos no III Simpósio Capacitação sobre o Cigarro Eletrônico, realizado na última sexta-feira, 24, no auditório Ney Marques no campus sede da Universidade Estadual de Maringá (UEM). A estratégia é fundamental, especialmente quando o assunto é a dependência de substâncias psicoativas que provoca dependência da nicotina e severos riscos à saúde. 

E quando se trata do combate ao tabagismo, com foco no cigarro eletrônico, as ações de combate devem priorizar a conscientização para se evitar a dependência nas novas gerações e os danos e sequelas irreversíveis que decorrem da prática. Foi nesse contexto que aconteceu , quando pesquisadores e especialistas com décadas de experiência apresentaram suas estratégias e abordagens junto aos jovens sobre os perigos do consumo do tabaco.

De acordo com o coordenador do Projeto Tabagismo, vinculado ao Museu Dinâmico Interdisciplinar (Mudi/UEM), professor Celso Ivam Conegero, nesta terceira edição do simpósio, que começou ano passado e já capacitou quase uma centena de servidores da Educação e da Saúde de Maringá e Região, ficou evidente que é preciso priorizar a prevenção. 

“Este é um trabalho que realizamos de forma articulada com parceiros há quase duas décadas e que visa oferecer formação específica sobre o tema aos agentes públicos no enfrentamento deste grave problema social e de saúde, com foco no ambiente escolar ”, afirmou Conegero na abertura do evento. 

Diretor do Mudi e coordenador do projeto Tabagismo, Celso Ivam Conegero (à esquerda), com Fernanda  Dal’Maso Camera, convidada da URI Erechim/RS (Foto/Mudi/UEM)

Como diretor do Mudi, o professor exaltou a parceria com a Associação dos Amigos do Mudi (Amudi) e a Associação de Controle ao Tabagismo e Promoção da Saúde (ACTBR). Ele também agradeceu o apoio e a presença na abertura do evento da 15ª Regional de Saúde, representada no evento por Aline Maiara Romano Angeluci, a Secretaria de Saúde da prefeitura municipal de Maringá, representada por Aureni Correa Fernandes Milagres, além do Pró-reitor de Recursos Humanos e Assuntos Comunitários, José Maria Oliveira Marques, da UEM, e de Helena maria Ramos dos Santos, do Conselho Municipal sobre Drogas (COMAD). 

“Além do trabalho de conscientização nas escolas, a partir de abordagens inovadores e eficientes, também precisamos estimular os municípios para iniciar uma discussão para criar uma legislação específica sobre a temática, ouvindo especialistas e visando impedir o aumento do uso dos dispositivos eletrônicos”, alertou Conegero. 

Conegero lembrou que recentemente, o Reino Unido, a exemplo da Nova Zelândia, estabeleceu normas que proíbem jovens, nascidos a partir de 2009, de comprarem e usarem tabaco durante toda a vida. “É uma discussão que com certeza vai chegar ao Brasil e nós precisamos começar imediatamente a debater junto à população e ao poder público”, adiantou o professor.

A enfermeira Renata Manholer, da Unidade de Saúde Alvorada III, em Maringá, participou pela primeira vez e pretende aplicar nas atividades alguns dos exemplos apresentados no evento. “Levo desse simpósio muita experiência e a vontade de propagar essas ideias. E hoje para quem atua na ponta do sistema, 

Enfermeira Renata Monholer, de Maringá, que participou pela primeira vez do evento (Foto/Mudi)

Palestras

Na programação da manhã, Fernanda Dal’Maso Camera apresentou o trabalho desenvolvido no PREVDrogas, programa de extensão e educação em saúde desenvolvido pela Escola de Educação Básica da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), campus Erechim, focado na prevenção do uso de substâncias psicoativas entre crianças e adolescentes. 

“Nós temos um formato diferente, inovador, criado por mim juntamente com os coordenadores da escola, em que iniciamos o trabalho com alunos do Fundamental II, aos 11 anos, até o Ensino Médio. Em 2026, temos o fechamento de um ciclo em que o aluno sai da escola, aos 17, 18 anos, tendo participado de todo o programa de prevenção desenvolvido na instituição, assim como país e responsáveis”, explica Fernanda.

Fisioterapeuta, doutora em Ciências da Saúde e pesquisadora do tema, Fernanda enfatizou a importância vital de uma verdadeira conexão entre escola e a família para reforçar o que é ensinado em termos de aconselhamento aos jovens para a prevenção ao uso de drogas. “Nossa meta é fazer com que o aluno tenha consciência dos riscos e danos à saúde, assim como a família, mesmo que ele escolha usar alguma substância psicoativa”, completa a especialista.

Fernanda Dal’Maso, da URI Erechim/RS (Foto/Mudi)

As ações do PREVDrogas não se limitam a palestras expositivas; elas utilizam métodos interativos para engajar os jovens como gincanas educativas, atividades práticas como experimentos e dinâmicas que demonstram os efeitos nocivos do tabaco e do álcool no organismo e a integração acadêmica entre cursos de graduação e pós-graduação da URI Erechim. 

Os participantes do simpósio puderam conhecer a experiência a ser aplicada na comunidade escolar, que inclusive ganhou reconhecimento internacional ao participar de congressos especializados no tema por sua eficácia na prevenção escolar ao uso de cigarro, cigarro eletrônico, narguilé e até bebidas energéticas. 

Em outra palestra da manhã, o professor Ernani Nagy de Moraes, da Escola de Aplicação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (EA/FEUSP), usa sua expertise como mestre em Educação Matemática para aplicar estratégias para alertar alunos da Educação Básica sobre o cigarro eletrônico. A ação faz parte do EAPREVE, programa de prevenção contra o uso indevido de drogas da Escola de Aplicação. 

Professor Ernani Nagy de Moraes, da EA/FEUSP, São Paulo (Foto/Mudi)

Como todos os projetos desenvolvidos no tema, o programa contempla ações pontuais em sala de aula e também iniciativas de mobilização e de discussão em eventos e atividades extra-sala. Nessas intervenções, são abordados diferentes temas, como:o conceito de droga lícita e ilícita o consumo do álcool, tabaco, maconha entre outras drogas. Indo, ainda, para os impactos na saúde dos jovens e possível comprometimento na qualidade de vida. 

Já no período da tarde do III Simpósio, participaram Carla Thiele Fernandes Maran, que compartilhou os trabalhos realizados em Nova Esperança no controle do tabagismo. Psicóloga do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), ela atua como coordenadora do Programa de Controle do Tabagismo no município de Nova Esperança, desenvolvendo ações de prevenção, acompanhamento e promoção da saúde voltadas à redução do uso do tabaco.

Psicóloga Carla Thiele Fernandes Maran, de Nova Esperança/PR (Foto/Mudi)

Sabrina Camargo Silva Leva, a psicóloga educacional, formada em Psicologia pela UEM, com especialização em Saúde Mental e Intervenção Psicológica, Psicopedagogia Clínica e Institucional, e Educação Especial, apresentou os resultados do trabalho que desenvolve na interface entre saúde, aprendizagem e inclusão educacional. Em sua fala, Sabrina trouxe as experiências do Senac Maringá e mostrou que a prevenção acontece em vários espaços e deve ser priorizada. 

Psicóloga educacional Sabrina Camargo Silva Leva (Foto/Mudi) 

Entre os objetivos do simpósio está em alertar que a dependência de nicotina é uma doença crônica que causa mortes dolorosas, prolongadas e com alto grau de sequelas motoras e psicológicas, como derrames, infartos e cânceres. Porém, com uma didática própria, inovadora, interativa  e criativa, é possível evitar a iniciação, especialmente entre crianças e adolescentes, sendo a estratégia mais eficaz para mitigar os impactos para a saúde  pública e melhorar a qualidade de vida das pessoas. 

Matéria redigida pela jornalista Silvia Calciolari, com imagens do bolsista Guilherme Nascimento dos Santos

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